terça-feira, 18 de outubro de 2016

A neurorreligação como a cura na psicoterapia

Palavras-chave: neurociência, neurorreligação, psicoterapia, neuropsicologia, neuroplasticidade.

“Todas as formas de cura de pacientes envolvidos na psicoterapia são de origem em modificações em estruturas e/ou funcionalidades de áreas cerebrais.”

Começo este artigo com a frase acima indicando a neuroplasticidade como essas modificações no sistema nervoso.

Podemos fazer o seguinte gráfico:

Estímulos externos     →     neuroplasticidade     →     neurorreligação

Poderíamos parar na neuroplasticidade? Acontece que o termo neurorreligação está ligado ao comportamento macro do indivíduo e a neuroplasticidade nas modificações micros no cérebro. O psicoterapeuta analisa, percebe mudanças no comportamento do seu paciente e, procedendo pela alta deste, atesta que ele está pronto para levar uma vida normal de trabalho, afetiva e social. Simplificando.

No cérebro do paciente aconteceram muitas transformações em que se poderia realizar testes com aparelhos eletrônicos sofisticados (1) antes e depois da terapia. Esses testes confirmarão essas transformações, mas, como posso ter certeza que todas as curas são assim? A neurociência junto com esses aparelhos já demonstraram muitas evidências a respeito de modificações estruturais durante terapias que não dá para se dizer que nada acontece no funcionamento físico-químico do cérebro. Isto é uma inferência mas não dá para se negar o papel “conclusivo” de tantas experiências já realizadas e que são publicadas na literatura científica.

Eu não diria que houve algo de mudança transcendental, imaterial na mente do paciente. Mesmo assim, na minha definição de neurorreligação, deixo um porém a respeito disto como você poderá ver no principal artigo que escrevi, “Neurorreligação”, (2) em que este termo abrange situações onde um possível efeito sobrenatural mexeria com a parte física do cérebro. Assim ficaria a cargo dos pesquisadores descobrirem onde ocorreriam essas influências. Na minha opinião o cérebro é uma máquina isenta de ações desses tipos.

A psicoterapia é de grande ajuda na recuperação emocional das pessoas, no autoconhecimento, nas fobias, em se lidar melhor com os sentimentos e emoções, em se perceber o mundo como ele é aqui e agora reagindo de forma adequada às muitas situações que se apresentam diante de nós, e, eu poderia fazer uma lista muita grande de mais vantagens aqui mas não é preciso. Não só os nossos corpos apresentam diversos distúrbios e doenças; o cérebro também.

Quando se diz cura para um paciente em psicoterapia, é porque houve transformações em níveis neurais, de circuitos neurais em suas funcionalidades. A plasticidade neuronal, suas transformações, chegaram a um ponto onde houve uma melhora no comportamento do paciente a ponto de receber alta.

O cérebro, com os seus quase infinitos estados, já não e mais aquele órgão insondável em níveis micro como era até há décadas atrás. Os aparelhos citados neste texto nos permitem vislumbrar um mundo onde outros deles nos darão respostas ainda mais precisas sobre essa fascinante máquina biológica de sentir e pensar.


Bibliografia:

1 - Principais aparelhos eletrônicos de utilidade para a neurociência:

1a. PET - Tomografia de Emissão de Pósitron: a “Tomografia por Emissão de Positrões” (PET) é uma técnica de imagem médica que utiliza moléculas que incluem um componente radioactivo (radionuclídeo). Quando administradas no corpo humano estas moléculas podem ser utilizadas para detectar e localizar reacções bioquímicas associadas a determinadas doenças, nomeadamente nas áreas da oncologia, da cardiologia e da neurologia.” Universidade de Coimbra. Instituto de Ciências Nucleares
 Aplicadas à Saúde. Disponível em: < http://www.uc.pt/icnas/pet_informacao_generica.pdf  >. Acesso em: 10/03/2016.

2a. SPECT - Tomografia Computada por Emissão de Fóton Único: “Assim como na PET, SPECT calcula a concentração de radio-nuclídeos introduzidos no corpo do paciente. Como na tomografia computadorizada, isto é feito girando o detector de fótons em torno do paciente, para detectar a posição e a concentração do radio-nuclídeos. Como a fonte, os radio-nuclídeos, estão dentro do corpo do paciente, a análise é muito mais complexa do que para a tomografia computadorizada, onde a localização e energia da fonte, externa ao corpo, é sempre conhecida. A energia dos fótons da SPECT são de cerca de 140 keV. Como somente um fóton é emitido, não se pode utilizar a técnica de coincidência, utilizada na PET. A resolução final, da ordem de 7 mm, é um fator de 3 ou 4 pior do que na PET, e muito piores do que tomografia convencional. As imagens são limitadas pelo ruído quântico. [...]” Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponível em: < http://astro.if.ufrgs.br/med/imagens/node19.htm >. Acesso em: 10/03/2016.

3a. fMRI - Imagens Funcionais por Ressonância Magnética: “ O mecanismo de contraste mais utilizado em imagens funcionais por ressonância magnética (functional Magnetic Resonance Imaging, fMRI), também conhecido por sinal BOLD (Blood Oxygenation Level Dependent) mede indiretamente a atividade neural, sendo sensível a mudanças no fluxo cerebral sangüíneo (Cerebral Blood Flow, CBF), na taxa cerebral metabólica do oxigênio (Cerebral Metabolic Rate of Oxygen, CMRO2) e no volume cerebral sanguíneo (Cerebral Blood Volume, CBV) e, em princípio, ele pode ser utilizado para mapear perfusão cerebral [...]”
Kátia Cristine Andrade (dissertação de mestrado - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - 2006). Disponível em:   < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59135/tde-20042010-100103/pt-br.php >. Acesso em: 10/03/2016.

2 - Argos Arruda Pinto. Neurorreligação. Disponível em: < http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/neurorreligacao.html >. Acesso em: 10/03/2016.
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