terça-feira, 25 de outubro de 2016

Religião ou neurorreligação?


Observação: recomendo a leitura de “Esclarecimento sobre a fé para os meus artigos” caso surjam dúvidas sobre a questão da fé: http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2014/04/esclarecimento-sobre-fe-para-os-meus.html
Este artigo:

“Resultados benéficos das terapias, meditações e religiões são faces de um mesmo fenômeno: a neurorreligação.”

Religião significa: "(s.f.) Culto rendido à divindade. / Fé; convicções religiosas, crença: a religião transforma o indivíduo. / Doutrina religiosa: religião cristã. / Tendência para crer em um ente supremo. / Acatamento às coisas santas. / Fig. Coisa a que se vota respeito: o trabalho era para ele uma religião”. (1) Significa também "religar-se", religar-se ao mundo.

É um modo de se ajustar à sociedade em que se vive, de buscar equilíbrio em todos os aspectos possíveis nas vidas das pessoas, e, também, a felicidade, através de orações, cultos, valores religiosos, etc., sendo, a fé, um dos sentimentos mais importantes para tanto.

Mas a Neurociência tem mostrado que os nossos sentimentos e emoções são resultados de atividades cerebrais relacionadas com neurotransmissores, neurônios, sinapses, produção de hormônios, ou seja, nada de sobrenatural influindo em qualquer cérebro ou sistema nervoso de nós seres humanos. E mais: há uma relação íntima entre esses fenômenos e a Teoria da Evolução onde tudo o que sentimos, é o resultado de conjuntos de genes em nossos DNA’s criadores de áreas cerebrais específicas, e que foram decisivos na perpetuação da espécie humana na Terra.

Então defino aqui um conceito, a Neurorreligação, devido ao meu modo de ver o Relativismo Religioso. (2)

A Neurorreligação se baseia nos seguintes fatos:

1 - O acreditar e a fé (3) são sentimentos, mas não sentimentos oriundos de qualquer fator ou ente (s) sobrenatural (s) e sim próprio da evolução do nosso sistema nervoso, especificamente do nosso cérebro. Eles como todos os outros sentimentos e emoções serviram à Evolução para que a espécie humana não se extinguisse.

2 - Existe uma capacidade natural, que nasce conosco, onde, conforme os valores religiosos vão se formando na mente das pessoas, pela influência do meio social, elas direcionam suas energias ao (s) ente (s) divino (s) e crenças aprendidas junto a ele (s). A fé seria uma extensão do acreditar: primeiro você acredita nos valores religiosos. É um sentimento. Depois você passa a, dizendo de forma prática, dar crédito, confiar, orar por um ente divino ou mais (se a sua religião for politeísta), orar pelos poderes associados a essas crenças, etc. (4)

3 - Neste momento você pode passar a se sentir bem, aliviado de sintomas negativos como, por exemplo, a tensão, angústia, ansiedade, sendo que a prática constante e intensa pode curar até depressões ou muitos outros estados emocionais negativos.

4 - Esses sentimentos são devidos à estimulação de áreas cerebrais específicas que introduzem em seu corpo e/ou no seu próprio cérebro, neurotransmissores, hormônios, e/ou substâncias químicas diversas fazendo com que você melhore de seus problemas. Exemplo: quando de uma oração você não está se comunicando com Deus, não está em contato com o sobrenatural de nenhuma espécie. Você, como qualquer outra pessoa de religião diferente, com valores religiosos diferentes, está "forçando" as áreas cerebrais responsáveis por sentimentos e emoções.

5 - Mas qualquer terapia, psicológica junto ou não à psiquiátrica, ou outra qualquer, e meditações, podem também estimular os seus neurônios a produzirem substâncias químicas a melhorar a sua condição mental.

6 - Quero dizer que as religiões, terapias e meditações estão em um mesmo patamar, não de eficácia, mas de finalidade para as pessoas se religarem ao mundo, se ajustarem às suas vidas, controlarem as suas emoções.

É evidente que as religiões, por terem os seus valores passados às pessoas desde quando crianças poderão ser mais eficazes, inclusive em um número maior de casos.
Considero clássicas as experiências do neurocientista estadunidense Andrew Newberg, onde freiras cristãs e monges budistas foram submetidos a tomógrafos computadorizados enquanto as primeiras rezavam e os monges meditavam. Veja um trecho (5) do texto publicado em uma revista de divulgação científica aqui no Brasil:
“No momento do transe, a área do cérebro responsável pelo sentido de orientação tem sua atividade reduzida, daí a sensação de desligamento com o corpo, relatada por quem passa por profundas experiências espirituais. É o que contam sentir os religiosos que passam por experiências sensoriais. ‘No momento de uma longa prece, sinto um aquietar da mente, uma sensação de paz interior e elevação espiritual. E também um sentimento de plenitude, como se a presença do Criador estivesse permeando meu ser’, relatou uma freira americana que participou das pesquisas.”

Newberg acredita em encontrar Deus na química dos neurônios, diferente do que digo aqui, mas, de qualquer maneira, suas experiências revelam a força da concentração, do esforço do pensar e ao mesmo tempo de ter fé em valores religiosos ou na filosofia, neste caso, budista. Tanto as freiras quantos os monges, diferindo radicalmente em muitas crenças, atingem estados mentais bem próximos, modificando o funcionamento da mesma área cerebral.

E para você ter uma ideia da diferença em crenças do cristianismo do budismo, basta saber que, para este último, o Deus  cristão  não  existe!

Concluindo, neurorreligação “é o resultado que se obtém ao nos concentrarmos, nos valores religiosos, nas terapias ou meditações, modificando o funcionamento de áreas cerebrais em nível de neurônios, neurotransmissores, hormônios, e outras substâncias químicas, para nos sentirmos bem”. As terapias, religiões e meditações são então neurorreligações.

E pode parecer estranho a frase “nos concentrarmos, seja em valores religiosos, terapias ou meditações…”, porque coloquei “valores religiosos” junto com terapias e meditações. Dá impressão que desrespeito a religião brasileira, coloco-a para baixo. O problema é que em nossa sociedade, em nosso meio ambiente social, predomina o culto ao cristianismo, onde se acha que ele é absoluto, o único verdadeiro, tendo as suas verdades como absolutas. Mas como em tudo neste blog eu defendo a ideia do Relativismo Religioso, porque, também, todas as religiões do mundo, em todas as épocas em que existiram ou ainda existem, se consideravam e se consideram absolutas, as únicas donas das verdades.

Qual estará certa? Nenhuma. Todas foram obras das mentes das pessoas.

O sobrenatural não existe.


Bibliografia:

1 - Dicionário Aurélio On Line - Brasil. Disponível em: http://www.dicionariodoaurelio.com/Religiao.html. Acesso em 25/05/2014

2 - Ver todos os artigos do blog “O relativismo religioso - Como eu o vejo”
 - http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br - principalmente:

Neurociência e como se formam os valores religiosos em nosso cérebro -
http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2017/04/neurociencia-e-como-se-formam-os.html 
3 - O acreditar e a fé como vantagens evolutivas. Argos Arruda Pinto. Disponível em: http://finalizacaoargos.blogspot.com.br/2008/02/o-acreditar-e-f-como-vantagens.html. Acesso em: 25/05/2014.

4 - É como se o cérebro enganasse a si mesmo mas você pode pensar de outra forma pois senão poderá duvidar e muito desta minha afirmação: o ser humano cria entes imaginários, atribui valores a eles, poderes, acreditando e colocando neles a fé que é tão poderosa. E não se pode provar que existem nem questionar porque seria heresia, blasfêmia. Tudo isto é passado de geração à geração em um povo ou região e acaba sendo tomado como uma verdade absoluta. Resumidamente, as religiões hoje existentes, algumas com mais de um bilhão de adeptos como o cristianismo, hinduísmo e o islamismo, começaram assim.

5 - Espiritualidade: A genética da fé. Carla Aranha. Revista SUPERINTERESSANTE. Disponível em: http://super.abril.com.br/cultura/espiritualidade-genetica-fe-446288.shtml. Acesso em: 25/05/2014.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O que é o sentir? Sentimentos e emoções

Palavras-chave: neurociência, emoção, sentimento, neurotransmissores, ciência, religião

Você está feliz pois recebeu uma notícia de aprovação em um concurso e com isto a sua vida mudará para melhor. É acometido de uma intensa sensação de euforia e satisfação!

Acha que uma alma ou espírito lhe proporcionou esses sentimentos e emoções  ou o seu cérebro e o seu corpo estão em um “banho químico” de substâncias? Errou se pensou em alma ou espírito.

O processo se passou, resumidamente, dessa maneira: a notícia (informação) chega; é processada em regiões cerebrais onde todas as suas memórias com expectativas pelo concurso  (emoções e sentimentos) são evocadas; só então neurônios de outras regiões cerebrais são ativados; informações chegam por eles a glândulas endócrinas e mais hormônios são fabricados; estes percorrem seu corpo, relaxando músculos, enrijecendo outros, deixando seu corpo leve, em uma “suavidade” única que só uma felicidade intensa deixaria.

Endorfina, dopamina e noradrenalina são alguns desses hormônios, e, qualquer semelhança, no processo citado acima, com um computador, não é mera coincidência. Só que os computadores só possuem capacidades e vias para o primeiro parênteses do processo: informação. Então os “estados” de funcionamento dessas máquinas são limitadas comparados  a nós seres humanos.

Você já percebeu que este artigo possui uma visão materialista dos nossos sentimentos e emoções mas, pode acreditar, existem muitas evidências para que eu escreva assim. Existem experiências e literaturas demais para não levarmos em consideração algo revolucionário como esse.

No meu artigo “O cérebro isento de alma” (1) eu proponho ao leitor raciocinar ao contrário: por que colocar um sistema, o cérebro, que é o mais complexo do universo, no alto da cabeça dos humanos se uma alma, de um criador onipotente, onisciente e onipresente, fizesse todo o serviço da casa? Bastaria termos apenas carne e ossos na cabeça! Também digo que se uma alma ajudasse os processos físicos-químicos neuronais, estariam rebaixando esse conceito de absoluta para algo menor, o que também não condiz com a ideia de um criador absoluto.

Em outro artigo meu, “A base material dos sentimentos” (2), falo de uma revolução científica e filosófica devido às descobertas da neurociência, desde o funcionamento do neurônio até a  complexa máquina neural não só emoções e sentimentos mas também a nossa racionalidade.

Quanto a isso não vejo nenhuma discussão ou indagações a respeito do assunto, mas, conforme os estudos do cérebro avançam cada vez mais, cientistas, filósofos e pessoas comuns vão se apercebendo, vislumbrando uma nova etapa no modo de se pensar sobre o assunto.

Então, como o nome deste artigo pergunta, o que é o sentir, digo que é um conjunto de estados de nossa mente com o corpo, onde substâncias químicas proporcionam sensações agradáveis ou não, de bem-estar, prazer, dor ou um incômodo qualquer, em músculos, vísceras, etc. Como exemplo, a “suavidade” mencionada por mim, na falta ainda de uma definição porque a neurociência é uma ciência nova, de sua felicidade ao passar em um concurso.


Bibliografia:

1 - O cérebro isento de alma. Argos Arruda Pinto. Disponível em:

2) - A base material dos sentimentos. Argos Arruda Pinto. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html >. Acesso em: 19  out. 2016;
e
A base material dos sentimentos. Sistemas, Teoria da Evolução e Neurociências. Argos Arruda Pinto. Disponível em: < http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/ >. Acesso em: 20 out. 2016.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

A neurorreligação como resultado da neuroplasticidade

Palavras chave: neurociência, neuroplasticidade, neurorreligação, psicologia, terapia, psicoterapia

“Devemos nos lembrar que todas as nossas ideias provisórias em psicologia partem da premissa de que um dia elas estarão baseadas numa subestrutura orgânica.”
(Sigmund Freud, re: projeto de uma psicologia biológica).


“O cérebro não é um órgão estático; ele muda continuamente em resposta aos  desafios do meio ambiente.”
(L. Cozolino).

“A maior parte das psicoterapias altera as estruturas cerebrais da mesma forma que os remédios para distúrbios da mente. Não dá mais para alegar que terapia é só conversa jogada fora.”
(Norman Doidge).


Em meu artigo “Neurorreligação” (1) eu digo que ela é o benefício positivo alcançado pelas pessoas no conjunto de três atividades, ou, no conjunto de duas delas e mesmo de uma só: práticas religiosas, terapias e meditações. Benefício aqui se refere a algo amplo: a ressocialização da pessoa, amenização de problemas emocionais / mentais, etc. E para compreender esse processo que não é nada fácil, entrarei em um conceito já bem estudado pela neurociência: a neuroplasticidade. (2)

Ela é um termo muito estudado hoje em dia e diz respeito às mudanças estruturais e/ou funcionais do cérebro com as experiências pessoais de cada um em suas vidas. É uma modificação neurológica definida por Landeira e Cruz (2007) (3) como a “capacidade vital de o cérebro reorganizar suas vias com base em novas experiências.”

Diz o psiquiatra e psicoterapeuta Roberto Faustino: “podemos supor que quando uma psicoterapia eficaz promoveu redução dos sintomas ou mudanças positivas na vida do cliente, paralelamente, seu cérebro sofreu alguma alteração.” (4)

O meu conceito de neurorreligação surgiu justamente desse fato: modificações neurológicas em nível micro produzindo alterações do comportamento visível, ou seja, no nível macro. A pessoa se religa à sua vida normal de trabalho, social, afetiva, etc.

A doutora Maria Alice Fontes, diretora de uma importante clínica de psicologia, neuropsicologia e psicopedagogia, a Plenamente, em São Paulo, SP, escreveu um importante artigo no próprio site da clínica, descrevendo descobertas e estudos recentes sobre a neuroplasticidade na psicoterapia. É o artigo “Como a psicoterapia age no cérebro?” (5)

Logo no primeiro parágrafo ela diz: “Recentes estudos têm mostrado que as alterações de comportamento provocadas pela psicoterapia são consequências da restauração de rotas neurais, cujo funcionamento estava alterado.” Mais ainda, citando um estudo de Barsaglini et al., 2013, ela descreve:

“Neste estudo, os resultados da literatura foram separados considerando cada transtorno psiquiátrico: transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno do pânico, transtorno depressivo maior unipolar, transtorno de estresse pós-traumático, fobia específica e esquizofrenia, e discutidos de acordo com as seguintes questões: (1) se as alterações neurobiológicos após psicoterapia ocorreram em regiões que apresentavam alterações neurofuncionais significativas antes do tratamento, (2) se estas mudanças neurobiológicas eram semelhantes ou diferentes, as observadas após o tratamento farmacológico, e (3) se as alterações neurobiológicas poderiam ser usadas para monitorar o andamento e o resultado da psicoterapia.
Resumidamente, os resultados apontam que: (1) dependendo do transtorno sob investigação, os resultados da psicoterapia no cérebro indicam: a) normalização de padrões de atividade cerebrais que estavam alteradas; b) o recrutamento de outras áreas que não apresentavam ativação alterada antes do tratamento e c) de uma combinação entre os dois. (2) Os efeitos da psicoterapia sobre a função cerebral são comparáveis aos da medicação para alguns, mas não todos os transtornos. (3) Não há evidências de que alterações neurobiológicas estão associadas com o desenvolvimento e com os resultados da psicoterapia.”
 
E no final do artigo ela se mostra prudente: “Desta forma, entende-se que as terapias psicológicas podem modificar os pensamentos, sentimentos e comportamentos dos indivíduos com transtornos mentais, mas os mecanismos cerebrais subjacentes, embora possam ser interpretados como uma normalização da atividade do cérebro, ainda não estão completamente claros e precisam de maiores investigações.”

A neurociência é uma ciência nova, onde, com instrumentos eletrônicos avançados, se começou recentemente a rastrear modificações neurológicas após terapias, meditações e práticas religiosas.

Na minha opinião, considerando o cérebro como uma máquina biológica e que não existe nada de sobrenatural ou transcendental em sua funcionalidade, a neurorreligação é resultado da neuroplasticidade.


Bibliografia:

1 - “Neurorreligação”. Argos Arruda Pinto. Disponível em: http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/neurorreligacao.html . Acesso em: 09/05/2017.

2 - “A importância da neurociência para a psicologia”. Rebeca Machado. Disponível em: http://blog.sbnec.org.br/2009/05/ensaio-a-importancia-da-neurociencia-para-a-psicologia/. Acesso em: 09/05/2017.

3 - “A importância da neurociência para a psicologia”. Rebeca Machado. Disponível em: http://blog.sbnec.org.br/2009/05/ensaio-a-importancia-da-neurociencia-para-a-psicologia/. Acesso em: 09/05/2017.

4 - “Contribuições da neurociência para a psicoterapia” - Prof. Roberto Faustino - Prof. adjunto e pesquisador na UFPE. Disponível em: 

5 - “Como a psicoterapia age no cérebro?” Maria Alice Fontes - Psy, Ph. D. - Diretora da Clínica Plenamente - São Paulo - SP - Brasil. Disponível em: http://www.plenamente.com.br/artigo.php?FhIdArtigo=203#.VsS0lI4XHs0 . Acesso em: 09/05/2017.

Neurorreligação e neuroplasticidade: especulações e considerações


Palavras chave: neuroplasticidade, neurorreligação, psiquiatria, psicoterapia, neuropsicologia.

Neste artigo eu comento um pequeno trecho do livro “Psicodrama e Neurociência” (1), o qual considerei de grande importância para reflexões e também especulações sobre o meu termo Neurorreligação.

O livro foi organizado pelos cientistas Georges Salim Khouri, Edward Hug e Heloisa Junqueira Fleury e possui muitas referências à psicoterapia, psiquiatria e neuroplasticidade.

Também cito um artigo das psicólogas Maria Alice Fontes e Selma Boer, “O efeito da psicoterapia no cérebro”, (2) da Clínica Plenamente em São Paulo, SP, Brasil.

Nas páginas 24 e 25 de “Psicodrama e Neurociência” encontramos:     

  “ ...Há muitos estudos de pacientes psiquiátricos, antes e depois da terapia, baseados nos efeitos da farmacoterapia e, mais recentemente, nos efeitos da psicoterapia; há também alguns que comparam os efeitos de ambos os tipos de terapia.
   Os resultados destes estudos são muito interessantes. Todos os três tipos mostram que ambas as terapias:
  • reduzem a atividade e o volume das estruturas patologicamente ativadas (como a amígdala no PTSD); e
  • aumentam a atividade e o volume das estruturas patologicamente inibidas (como o hipocampo nos pacientes depressivos).
    Mostram também que os dois tipos de terapia têm efeitos similares mas não iguais (Kay, 2004).
Infelizmente há mais hipóteses do que fatos a respeito de 'psicoterapia e neuroplasticidade'. Isso pode ser explicado. Primeiro, não há e não pode existir um modelo para a psicoterapia no mundo animal, uma vez que os animais não se comunicam como nós o fazemos; suas funções superiores do cérebro não estão desenvolvidas da mesma forma que nos humanos.
     Além disso, os métodos de imagem não mostram neuroplasticidade - mostram apenas o volume e a atividade das estruturas cerebrais, das quais podemos tirar conclusões indiretas. E a neurogênese pode ser objetivada apenas histologicamente, ou seja, post mortem. Por último, mas não menos importante, a psicoterapia não é somente 'gerenciamento de sintomas': ela inclui um espectro muito maior de mudanças relacionadas com o desenvolvimento pessoal.

Memória

   Jerald Kay e Deborah Liggan construíram um modelo de memória de psicoterapia baseado na plasticidade cerebral. A neuroplasticidade é vista como um pré-requisito para qualquer mudança durável de comportamento, cognição e emoções, e portanto para todos os efeitos psicoterápicos.
     Existem dois tipos principais de memória:

1. O sistema de memória explícita - recordação consciente de fatos e eventos:
  • estruturas cerebrais: estruturas do lobo temporal especialmente o hipocampo, estruturas límbicas-diencefálicas;
  • disponivel para evocação consciente.

2. Sistema de memória implícita - uma conservação heterogênea de capacidades; armazena a experiência emocional relacionada com o processo de vinculação precoce:
  • estruturas cerebrais: gânglios basais;
  • não disponível para evocação consciente (Liggan, et al., 1999)... ”.
   

Tanto na psicoterapia quanto na psiquiatria há mudanças no volume - tamanho - e nas atividades de áreas cerebrais descritos nos dois primeiros parágrafos. O cérebro não se transforma para não realizar novas funções, não exercer atividades que antes não possuía. Sabe-se que qualquer mudança em sua estrutura irá ter consequências no comportamento do indivíduo.

O terceiro parágrafo é bem elucidativo porque mesmo se tratando de duas modalidades de trabalhos distintas, efeitos similares acontecem: conversar com um psicoterapeuta e ingerir remédios são duas coisas bem diferentes. Sendo o cérebro o sistema mais complexo existente, chegar a resultados similares já é uma grande conquista, uma grande evidência, na minha opinião, que tanto o psiquiatra quanto o psicoterapeuta procuravam o mesmo fim.

Mesmo os dois últimos parágrafos, antes do subcapítulo “Memória”, citando problemas com respeito à neuroplasticidade e a psicoterapia, vemos depois a frase “A neuroplasticidade é vista como um pré-requisito para qualquer mudança durável de comportamento, cognição e emoções, e portanto para todos os efeitos psicoterápicos.”

No artigo “O efeito da psicoterapia no cérebro” vemos as seguintes considerações:

“ [...] Um estudo recente com pacientes portadores de depressão (Ritchey et al., 2011), sem o uso de medicação, apontou que a psicoterapia promove um aumento global na ativação da córtex pré-frontal ventromedial, e maior excitação na amígdala, núcleo caudado e hipocampo (uma das regiões cerebrais envolvidas na expressão das emoções).

Outra pesquisa realizada na Universidade da Califórnia mostrou, através de estudos de neuroimagem, uma redução da atividade metabólica no núcleo caudado, estrutura localizada no hemisfério cerebral direito, com papel importante no sistema de aprendizado e memória  em pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo, que passaram por psicoterapia no decorrer de 10 semanas.  

No caso de indivíduos com fobias específicas (fobia de animais, de sangue), os estudos de neuroimagem (Porto et al., 2009) mostraram uma diminuição da atividade em áreas límbicas e paralímbicas do cérebro (responsáveis pelo controle emocional do comportamento, memória). Os achados de todas essas pesquisas apontavam para uma correlação com a melhora dos sintomas dos pacientes e mudanças na atividade cerebral ”.

Vejam estes três últimos parágrafos de “O efeito da psicoterapia no cérebro”:  melhoras de diversos sintomas emocionais negativos através de conversas, sessões com um psicoterapeuta, as “bases” do método do profissional! Por isto fiz questão de grifar em negrito o final do artigo.

Imagine a cura de uma depressão, por exemplo, como acontece muito por aí. Não podemos de modo algum pensar que não houve modificações em estruturas cerebrais e na funcionalidade destas ou de outras… Uma pessoa limitada em muitos, senão em todos os sentidos de uma vida plena em sociabilidade, afetividade e de trabalho, tendo sida resgatada da forma que foi, voltando a ser feliz, é uma grande evidência daquilo que batizei como Neurorreligação!

Estímulos externos perpetuando mudanças estruturais e/ou funcionais em regiões cerebrais, refletindo no comportamento visível do paciente. Esta é a essência do termo Neurorreligação.


Bibliografia:

  1. Fleury, H. J. ; Hug, E. ; Khouri, G. S. Psicodrama e neurociência: contribuições para a mudança terapêutica. São Paulo: Grupo Editorial Summus, 2008. p. 24-25.
  2. O efeito da psicoterapia no cérebro. Maria Alice Fontes e Selma Boer. Disponível em: < http://www.plenamente.com.br/artigo/163/-efeito-psicoterapia-no-cerebro-selma-boer.php#.VtXlyI4XHs1 >. Acesso em: 02/03/2016.

A neurorreligação como a cura na psicoterapia

Palavras-chave: neurociência, neurorreligação, psicoterapia, neuropsicologia, neuroplasticidade.

“Todas as formas de cura de pacientes envolvidos na psicoterapia são de origem em modificações em estruturas e/ou funcionalidades de áreas cerebrais.”

Começo este artigo com a frase acima indicando a neuroplasticidade como essas modificações no sistema nervoso.

Podemos fazer o seguinte gráfico:

Estímulos externos     →     neuroplasticidade     →     neurorreligação

Poderíamos parar na neuroplasticidade? Acontece que o termo neurorreligação está ligado ao comportamento macro do indivíduo e a neuroplasticidade nas modificações micros no cérebro. O psicoterapeuta analisa, percebe mudanças no comportamento do seu paciente e, procedendo pela alta deste, atesta que ele está pronto para levar uma vida normal de trabalho, afetiva e social. Simplificando.

No cérebro do paciente aconteceram muitas transformações em que se poderia realizar testes com aparelhos eletrônicos sofisticados (1) antes e depois da terapia. Esses testes confirmarão essas transformações, mas, como posso ter certeza que todas as curas são assim? A neurociência junto com esses aparelhos já demonstraram muitas evidências a respeito de modificações estruturais durante terapias que não dá para se dizer que nada acontece no funcionamento físico-químico do cérebro. Isto é uma inferência mas não dá para se negar o papel “conclusivo” de tantas experiências já realizadas e que são publicadas na literatura científica.

Eu não diria que houve algo de mudança transcendental, imaterial na mente do paciente. Mesmo assim, na minha definição de neurorreligação, deixo um porém a respeito disto como você poderá ver no principal artigo que escrevi, “Neurorreligação”, (2) em que este termo abrange situações onde um possível efeito sobrenatural mexeria com a parte física do cérebro. Assim ficaria a cargo dos pesquisadores descobrirem onde ocorreriam essas influências. Na minha opinião o cérebro é uma máquina isenta de ações desses tipos.

A psicoterapia é de grande ajuda na recuperação emocional das pessoas, no autoconhecimento, nas fobias, em se lidar melhor com os sentimentos e emoções, em se perceber o mundo como ele é aqui e agora reagindo de forma adequada às muitas situações que se apresentam diante de nós, e, eu poderia fazer uma lista muita grande de mais vantagens aqui mas não é preciso. Não só os nossos corpos apresentam diversos distúrbios e doenças; o cérebro também.

Quando se diz cura para um paciente em psicoterapia, é porque houve transformações em níveis neurais, de circuitos neurais em suas funcionalidades. A plasticidade neuronal, suas transformações, chegaram a um ponto onde houve uma melhora no comportamento do paciente a ponto de receber alta.

O cérebro, com os seus quase infinitos estados, já não e mais aquele órgão insondável em níveis micro como era até há décadas atrás. Os aparelhos citados neste texto nos permitem vislumbrar um mundo onde outros deles nos darão respostas ainda mais precisas sobre essa fascinante máquina biológica de sentir e pensar.


Bibliografia:

1 - Principais aparelhos eletrônicos de utilidade para a neurociência:

1a. PET - Tomografia de Emissão de Pósitron: a “Tomografia por Emissão de Positrões” (PET) é uma técnica de imagem médica que utiliza moléculas que incluem um componente radioactivo (radionuclídeo). Quando administradas no corpo humano estas moléculas podem ser utilizadas para detectar e localizar reacções bioquímicas associadas a determinadas doenças, nomeadamente nas áreas da oncologia, da cardiologia e da neurologia.” Universidade de Coimbra. Instituto de Ciências Nucleares
 Aplicadas à Saúde. Disponível em: < http://www.uc.pt/icnas/pet_informacao_generica.pdf  >. Acesso em: 10/03/2016.

2a. SPECT - Tomografia Computada por Emissão de Fóton Único: “Assim como na PET, SPECT calcula a concentração de radio-nuclídeos introduzidos no corpo do paciente. Como na tomografia computadorizada, isto é feito girando o detector de fótons em torno do paciente, para detectar a posição e a concentração do radio-nuclídeos. Como a fonte, os radio-nuclídeos, estão dentro do corpo do paciente, a análise é muito mais complexa do que para a tomografia computadorizada, onde a localização e energia da fonte, externa ao corpo, é sempre conhecida. A energia dos fótons da SPECT são de cerca de 140 keV. Como somente um fóton é emitido, não se pode utilizar a técnica de coincidência, utilizada na PET. A resolução final, da ordem de 7 mm, é um fator de 3 ou 4 pior do que na PET, e muito piores do que tomografia convencional. As imagens são limitadas pelo ruído quântico. [...]” Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponível em: < http://astro.if.ufrgs.br/med/imagens/node19.htm >. Acesso em: 10/03/2016.

3a. fMRI - Imagens Funcionais por Ressonância Magnética: “ O mecanismo de contraste mais utilizado em imagens funcionais por ressonância magnética (functional Magnetic Resonance Imaging, fMRI), também conhecido por sinal BOLD (Blood Oxygenation Level Dependent) mede indiretamente a atividade neural, sendo sensível a mudanças no fluxo cerebral sangüíneo (Cerebral Blood Flow, CBF), na taxa cerebral metabólica do oxigênio (Cerebral Metabolic Rate of Oxygen, CMRO2) e no volume cerebral sanguíneo (Cerebral Blood Volume, CBV) e, em princípio, ele pode ser utilizado para mapear perfusão cerebral [...]”
Kátia Cristine Andrade (dissertação de mestrado - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - 2006). Disponível em:   < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59135/tde-20042010-100103/pt-br.php >. Acesso em: 10/03/2016.

2 - Argos Arruda Pinto. Neurorreligação. Disponível em: < http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/neurorreligacao.html >. Acesso em: 10/03/2016.

A meditação como neurorreligação

Meditação, no dicionário da língua portuguesa do Brasil, Michaelis,¹ quer dizer, literalmente: “1 - Ato ou efeito de meditar; reflexão. 2 - Oração mental. 3 - Contemplação religiosa. sf. pl.: Pensamentos, estudos, reflexões.”

Sua origem é muito antiga e, apesar do que se conhece hoje, ser dos egípcios as primeiras evidências, ela é associada a religiões orientais, embora a sua prática possa não ter conteúdo religioso, ou seja, seria também o pensar sem vínculo com valores religiosos.

Do latim meditare, significando "voltar-se para o centro no sentido de desligar-se do mundo exterior" e "voltar a atenção para dentro de si", na língua litúrgica páli, criada por Sidarta Gautama, o Buda, por volta do século 5 a.C., significa: "concentrar intensamente o espírito em algo".

O budismo é mais uma filosofia-religiosa do que uma religião e os budistas realmente praticam intensamente a meditação. Eles acreditam em uma relação de interdependência entre tudo no universo e, por isto, “pregam”, em um de seus princípios fundamentais, a busca de uma compaixão ou benevolência, de amor, e de comunidade com todos os seres vivos, sem ferir, ofender ou depreciar nenhum deles.

Mas no sentido prático, nesses verdadeiros “exercícios mentais”, a  meditação atua em diversas áreas do cérebro: “Estão conseguindo fazer em Harvard a união de crenças milenares do budismo com a neurociência, mostrando como a meditação altera áreas do cérebro e produz bem-estar: menos ansiedade, depressão e dores crônicas. E até menos propensão à obesidade”, relata Gilberto Dimenstein em sua crônica “Devagar se vai longe?” (Folha de S. Paulo, Cotidiano, 06/02/2011).

Você pode, sem recorrer ao budismo, meditar, pensar, se esforçar com a sua mente em fatos e aspirações positivas. Comecei este artigo falando do budismo porque ele é muito influente no mundo todo, tendo aproximadamente 400 milhões² de adeptos, sendo superado apenas pelas religiões chinesas, o hinduísmo, o islamismo e o cristianismo, que são religiões verdadeiras como estamos acostumados a saber.

Para corroborar com este texto, exibo aqui algumas conquistas realizadas nesta área no mundo todo, que foram publicadas no artigo “Meditação é o remédio”,3 da Revista Época em 2011:

- 2002: um grupo de cientistas ligado à Faculdade de Medicina de Harvard provaram que a resposta de relaxamento (RR) melhora a memória de idosos saudáveis, de forma mais efetiva quando eles realizam tarefas simples de atenção. Já os estados de ansiedade diminuem de forma marginal.

- 2003: pela primeira vez, cientistas relataram aumento do número de anticorpos em pessoas que meditaram durante oito semanas após serem vacinados contra a gripe, em relação ao grupo controle. A descoberta foi feita por um grupo liderado por Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin.

- 2005: em dezembro, Sara Lazar, do Hospital Geral de Massachusetts, conseguiu mostrar, através de imagens de ressonância magnética, que a meditação aumenta a espessura do córtex pré-frontral cerebral – região associada ao planejamento de comportamentos cognitivos complexos. A espessura da ínsula direita – ligada às sensações corporais e às emoções – também se mostrou mais grossa em praticantes de RR em relação ao grupo de controle. Foi a primeira evidência de que a meditação está associada a alterações na estrutura do cérebro.

- 2008: estudo publicado em julho pelo BHI [Instituto Benson-Henry, do Hospital Geral de Massachusetts] mostrou, pela primeira vez, que a RR produz uma mudança no padrão de ativação dos genes – e maior ela é quanto mais tempo a meditação é praticada. O mesmo trabalho mostrou que os praticantes tiveram menos danos fisiológicos celulares ligados ao estresse do que o grupo de controle.

- 2009: a amígdala direita é responsável pela resposta automática ao estresse: produz hormônios, aumenta os batimentos cardíacos... cientistas ligados ao Hospital Geral de Massachusetts descobriram que, depois de oito semanas de prática de meditação, houve redução da densidade da massa cinzenta da amígdala dos participantes. Quanto menos relatavam estresse, maior a redução.

- 2009: pesquisadores do Centro Médico de Pesquisa Avançada em Yoga e Neurofisiologia, na Índia, descobriram que praticar meditação cíclica duas vezes ao dia melhora a qualidade objetiva e subjetiva do sono na noite seguinte. Meditação cíclica é uma técnica que combina posturas de yoga intercaladas com repouso.

- 2010: em junho, um grupo da Universidade do Estado da Flórida publicou estudo mostrando que o treinamento mental reduz significativamente o estresse e a supressão do pensamento e aumenta a recuperação fisiológica de alterações relacionadas ao alcoolismo. Dessa maneira, a meditação atinge os principais mecanismos ligados à dependência alcoólica e pode ser um tratamento alternativo para prevenir recaídas entre os mais vulneráveis.

- 2010: um grupo ligado ao BHI, liderado por Marlene Samuelson, provou que mulheres brancas submetidas a um programa de 2,5 horas semanais de práticas mente/corpo durante 12 semanas tiveram uma significativa redução na frequência de 12 queixas cotidianas, como dor de cabeça, confusão visual, tontura, náusea, prisão de ventre, diarreia, dor abdominal, dor nas costas, dor no peito, palpitações, insônia e fadiga.

- 2010: em dezembro, um grupo da Universidade de Montreal descobriu por que quem medita sente menos dor. Essas pessoas têm a capacidade de desligar algumas áreas cerebrais responsáveis pela sensação da dor, mesmo experimentando-a. Dois grupos, um de controle outro de pessoas que meditavam, fora submetidos a estímulos de dor. Os que meditavam tiveram respostas menores para a dor, bem como um funcionamento menor das áreas do cérebro responsáveis pela cognição, emoção e memória. Eles sentiam dor, mas cortavam o processo rapidamente, refreando a interpretação que o cérebro tinha desse estímulo.

- 2010: em dezembro, um grupo do Centro de Dependência e Saúde Mental (CAMH), no Canadá, publicou um estudo provando que a meditação tem o mesmo efeito protetor que os remédios contra recaídas em pessoas com depressão.

- 2010: estudo da Universidade da Pennsylvania mostrou melhora na função neuropsicológica e aumentos significativos no fluxo sanguíneo cerebral em indivíduos com perda de memória submetidos a um programa de meditação de oito semanas.

- 2011: ao passo que a meditação faz diminuir a densidade de massa cinzenta da amígdala, ela aumenta a densidade de uma região do cérebro chamada hipocampo, responsável pelo aprendizado e memória, e associada ao bem-estar, compaixão e introspecção. Foi o que descobriu um grupo do Hospital Geral de Massachussets, que publicou o estudo em janeiro na Psychiatry Research: Neuroimaging.

- 2011: pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova York publicaram em fevereiro um trabalho que mostra a meditação pode ser útil na redução da ansiedade. Os participantes relataram que se sentiram mais calmos, relaxados, equilibrados e centrados após um mês de prática.

Mas o mais importante deste artigo, como eu já descrevi em outros dois, “Religião ou neurorreligação?” 4 e “A Psicoterapia como neurorreligação”,5 é o conjunto de mudanças funcionais e/ou estruturais ocorridas em regiões específicas do cérebro, e, consequentemente, levando às pessoas que praticam uma ou mais dessas atividades, a comportamentos mais satisfatórios com relação às suas vidas.

Em conclusão, religiões, terapias (incluindo a psicoterapia) e meditações são neurorreligações.

O ser humano passou centenas, dezenas de milhares de anos, e continua hoje,  achando que os benefícios obtidos por estas três atividades eram frutos de uma alma, de um espírito, e/ou intervenção de um ou mais entes divinos, o que a neurociência vêm descobrindo como modificações estruturais e/ou funcionais de áreas específicas do cérebro pelos esforços mentais a que são submetidas.

Foram necessários séculos de avanços da ciência e da tecnologia para se chegar a um ponto onde estas três atividades tão comuns na vida das pessoas fossem entendidas como algo material e físico.


Notas:

1 - Dicionário Michaelis. Disponível em: <www.michaelis.com.br>. Acesso em: 18-04-2017

2 - Revista SUPERINTERESSANTE - Carolina Vilaverde - 23-01-2012. Disponível em:  <http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/as-8-maiores-religioes-do-mundo/>. Acesso em: 18-04-2017

3 - Artigo: “Meditação é o remédio” - Disponível em:

4 - “Religião ou neurorreligação?”. Disponível em: <                

5 - “A psicoterapia como neurorreligação”. Disponível em: <              http://neurorreligacao.blogspot.com.br/2016/10/a-psicoterapia-como-neurorreligacao.html >. Acesso em: 18-04-2017



Referência bibliográfica:

Wikipédia - Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Medita%C3%A7%C3%A3o >. Acesso em: 18-04-2017

Wikipédia - Disponível em:
< http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1li >. Acesso em: 18-04-2017